CHAVE 12

O que está embutido nessas práticas extremas de treinamento?

O CrossFit

Estudando o nascimento deste método de treinamento, constatamos que ele foi criado por um ex-ginasta e, inicialmente, pensado como um modelo ideal para treinar a polícia norte-americana. Rapidamente, ele ficou popular entre os militares que combatiam na guerra do Afeganistão. Alguns anos depois, tornou-se mais conhecido nos Estados Unidos devido aos seus benefícios estéticos.

O modelo do “sem dor, sem ganho” atinge o seu ponto máximo, não tem mais para onde avançar. Esse é o método mais radical e extremo já inventado pelo homem. O que dizer de uma forma de treinamento que se orgulha em propagar que “o seu treino é o meu aquecimento”, em que os alunos vomitam, desmaiam e urinam durante o treinamento? Quem teve a ideia “genial” de transformar o treinamento físico em uma gincana contra o relógio? Lembre-se: quando você compete contra o relógio, quem pode ganhar é ele. Você vai acelerar tanto o processo e a intensidade do treinamento, que o resultado final podem ser dez ou 20 anos a menos de expectativa de vida, devido à perda do aparelho locomotor. Nessas formas extremas de treinamento, o risco de lesão torna-se igualmente extremo.

O CrossFit foi adquirido por uma das maiores marcas esportivas do planeta, que, através de um marketing agressivo, transformou-o em um fenômeno mundial. Quando pensamos que essas novas modas do treinamento vão parar na capa das maiores revistas e se transformam em uma febre comercial, constatamos o quanto a mercantilização do corpo é perigosa. Por meio do sistema de copyright, uma moda como essa se transforma em algo extremamente lucrativo. Imagine o que significa milhares de empreendedores, em todo o mundo, pagando royalties substanciais todo mês para ter direito ao uso da marca.

Veja só o trecho de uma matéria veiculada no jornal Folha de S.Paulo, na qual o traumatologista Dr. Wagner Castropil fala sobre o risco extremo de lesões:

“ ‘Já recebemos inúmeros pacientes com lesões originadas do CrossFit, lesões no joelho, luxações de ombro, lesões de cartilagem e até fraturas’. De acordo com o médico, muitos desses pacientes precisam de fisioterapia. ‘Alguns até de cirurgia’. Ele afirma que o Instituto Vita atende, por mês, cerca de cinco casos de lesões dos ‘crossfiteiros’.”

(Fonte: “Conheça o crossfit, treino militar que é moda e está em 150 academias de SP”, Folha de S.Paulo, 07 de dezembro de 2014.)

Qualquer fisioterapeuta estudioso e conhecedor do corpo entende os riscos embutidos em práticas extremas de treinamento. Uma das mais graves é a rabdomiólise, que pode acometer atletas e alunos que exageram nos treinos e que possuem um ótimo preparo físico.

Pesquise no Google pelo artigo “O segredinho sujo do CrossFit” e veja a associação entre CrossFit e rabdomiólise, feita pelo fisioterapeuta norte-americano Eric Robertson. Abaixo, um trecho resumido sobre o fenômeno:

A rabdomiólise

“Mas, afinal, o que exatamente é a rabdomiólise? Em condições extremas, suas fibras musculares explodem. Morrem. Vazam proteínas na corrente sanguínea, incluindo uma forma de proteína chamada mioglobina. Os seus rins, sempre alertas, assumem a tarefa de remover as proteínas perigosas do seu sangue. Por quê? Essa é apenas a função deles. Infelizmente, a mioglobina não foi feita para estar no sangue, em primeiro lugar, e pode facilmente sobrecarregar os rins, os quais podem sofrer dano ou falência em um curto espaço de tempo, sendo assim, é uma doença potencialmente letal. No nível local, os músculos permanecem arruinados e à beira da morte. Em seguida, há inchaço e fraqueza, conforme aumenta a pressão em torno das fibras musculares restantes. O seu organismo, que, normalmente, pode tratar danos musculares locais, está fora do ar, tentando mantê-lo vivo. Se você chegar até esse ponto, estará em estado grave.

Em alguns casos, ocorre síndrome compartimental aguda, uma emergência médica que pode causar a amputação de membros, a menos que o seu tecido conjuntivo seja aberto por meio de um corte para reduzir o inchaço, um procedimento chamado fasciotomia. Nada disso deveria ser tratado de forma tão corriqueira.”

(Fonte: Eric Robertson, em artigo no site Medium.)

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