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2 ago

Fazer dieta engorda

Você sabia que a indústria das dietas é maior do que a indústria dos tênis esportivos nos Estados Unidos? Considerando que a maioria de nós precisa de um tênis para calçar os pés, o dado é chocante, não é?

Na realidade, tanto faz se a base de uma dieta são as proteínas, os carboidratos ou as gorduras. O maior estudo já realizado sobre o assunto divulgado pela revista Scientific American (n. 279), concluiu que todas se equivalem no emagrecimento a curto prazo e na recuperação do peso a longo prazo.

Afinal, como as dietas da moda se transformaram em um dos principais fatores do aumento da obesidade no mundo?

Vamos analisar esta questão com mais cuidado. Mas antes, deixe eu lhe contar, um pouco, sobre o caminho que percorri para chegar a essa conclusão.

Durante 12 anos eu fui o Ghostwriter do meu pai, Nuno Cobra, um dos maiores nomes do treinamento físico e mental no Brasil. Eu escrevia artigos mensais assinados por ele em uma revista veiculada em Alphaville e região.

Sem perceber, devido as minhas observações pessoais e experiências vividas com meus alunos, eu adiantei alguns conceitos que se tornaram muito populares entre os maiores estudiosos da nutrição, atualmente.

Acredito que a experiência científica seja essencial ao conhecimento, porém não podemos nos esquecer que a experiência vivida no dia a dia é também complementar e igualmente necessária. É o que eu chamo de conhecimento intuitivo ou conhecimento de campo. Há mais de 30 anos, encaro diariamente algumas dinâmicas de personagens reais com questões complexas relacionados à saúde e qualidade de vida. Desta forma, observei um padrão muito claro em meus alunos que estavam obesos: todos tinham uma obsessão com a perda de peso e seguiam dietas restritivas, de tempos em tempos.

Há aproximadamente 10 anos, escrevi pela primeira vez sobre a inutilidade das dietas restritivas, o título da matéria era exatamente o mesmo. Na época, o assunto era um grande tabu para a maioria dos nutricionistas. Vamos retomar está reflexão.

Na verdade, não é que o obeso goste de comer, ele sofre por comer, o que é diferente. Já está mais do que provado que a culpa em comer é um mecanismo que sustenta a obesidade.

A partir daí, o medo em não conseguir emagrecer torna-se dominante e se transforma em uma forma de obsessão. São as armadilhas mentais e seus truques que confundem e embaralham a nossa consciência. Quanto mais tensa, preocupada e obsessiva for a sua relação com a comida e o emagrecimento, mais dificuldade você terá neste processo. Esta é a armadilha.

Quando o assunto “não posso comer” se torna uma obsessão para você, mais focado neste assunto e mais refém da comida e dos seus medos você estará.

Tudo que é proibido é mais gostoso. Quanto mais pensamos sobre este assunto criando uma proibição a nós mesmos, mais a comida torna-se algo irresistível e atraente.

Costumo dizer que fazer dieta é uma maneira muito eficiente de destruir a sua autoconfiança. Explico: sempre que fazemos um movimento radical em uma direção, isto provocará uma reação espontânea na direção oposta. É o famoso efeito gangorra ou 8 ou 80. Esta é a causa do efeito sanfona vivido por milhões de pessoas em todo o mundo

O equilíbrio não está nos extremos, e sim no meio. Ser radical na dieta representa viver de um extremo ao outro constantemente. O que acontece com quem segue este modelo? Com o tempo, o desequilíbrio se torna cada vez maior. Neste processo perdemos a moral com nós mesmo e de derrota em derrota, destruímos a nossa autoconfiança e a nossa capacidade de autocontrole, por completo.

Pesquisas recentes levaram a um consenso entre os maiores nutricionistas, afirmando que as dietas restritivas falham em 95% dos casos.

Agora eu lhe pergunto, você desperdiçaria uma enorme energia, tempo e dinheiro, passaria por frustrações e torturas indescritíveis, investindo em um recurso que falha em 95% dos casos?  Como vemos, esta escolha não é racional.

Quem faz dietas e mudanças bruscas na alimentação constantemente, pode engordar de 2kg a 5kg em média, anualmente.

Afora todas as questões psicológicas envolvidas neste processo, existem explicações fisiológicas para este fenômeno: após passar por um período de privações, o corpo irá estocar gordura, desesperadamente, como forma de defesa.

Quando comer torna-se algo permitido, equilibrado e natural, tudo isso se dissolve e passa a não fazer mais sentido. Porém, todo este processo deve ser uma construção gradativa, consistente, feita através de mudanças de hábitos reais que tenham uma perspectiva de médio e longo prazo. Nas dietas restritivas isso não é possível.

A Ph.D. em nutrição, Sophie Deram, tornou-se com seu livro ”O peso das dietas”, uma das maiores referências no combate aos transtornos alimentares e a obesidade.

Leia a seguir um sábio conselho da Sophie.

“Não pense em emagrecer com pressa! Pare de forçar o seu corpo de maneira brutal, massacrando-o com restrições. O seu cérebro não percebe a perda de peso como um sucesso de beleza, percebe-a como um grande perigo, por isto desenvolve mecanismos de adaptação para proteger você. Veja só o que acontece: o seu cérebro vai aumentar o seu apetite, diminuir o seu metabolismo e aumentar cada vez mais sua obsessão por alimento, justamente para que coma e não corra nenhum perigo de perder gordura.”

Você sabe qual é o segredo do emagrecimento definitivo? Não ter pressa.

Na sociedade da pressa e do imediatismo, tendemos a não dar atenção para aquilo que realmente funciona, para aquilo que já estamos cansados de saber. Ou seja, um processo de emagrecimento saudável e eficiente passa por fazer mudanças de hábitos lentas e gradativas em relação a alimentação e ao treinamento. Ao adotar um ritmo orgânico e realista, evoluindo “step by step” e tendo uma perspectiva de médio e longo prazo, você irá se deparar com a fórmula definitiva do emagrecimento. Tudo isso, sem sofrimento, sem exageros, sem shakes, sem dietas ou treinamentos radicais.

*Partes desse texto foram extraídas do meu livro, “O Músculo da Alma, A Chave Para Sabedoria Corporal”